Elétricos e híbridos plug-in chegam a 10% do mercado no Brasil

Elétricos e híbridos plug-in chegam a 10% do mercado no Brasil

Em janeiro de 2026, o mercado brasileiro de eletrificados registrou um marco histórico. Os elétricos e híbridos plug-in (BEV e PHEV) atingiram pela primeira vez dois dígitos de participação nas vendas totais de veículos leves no país, segundo dados da ABVE.

Em janeiro, foram 23.706 veículos eletrificados emplacados, o equivalente a 15% do mercado total de leves, que somou 162.484 unidades no período. Dentro desse universo, os modelos plug-in responderam por 16.649 unidades, atingindo 10% de participação sobre o total do mercado.

Na comparação com janeiro de 2025, quando foram registrados 12.556 emplacamentos, o crescimento foi de 88%, reforçando a aceleração da adoção de tecnologias de menor impacto ambiental e maior eficiência energética no país.

Na comparação com dezembro de 2025, houve retração de cerca de 30%, movimento considerado normal dentro da sazonalidade do setor, especialmente após o desempenho excepcional do último mês do ano passado, quando foram emplacados 33.905 eletrificados – o maior volume da série histórica da ABVE.

Plug-in lideram avanço da eletrificação

Os veículos com recarga externa seguem como principal vetor de crescimento do segmento. Em janeiro, os plug-in representaram 70,2% dos eletrificados vendidos.

Dentro desse grupo, houve equilíbrio entre tecnologias. Os híbridos plug-in (PHEV) responderam por 34,5% dos eletrificados (8.399 unidades), enquanto os elétricos 100% (BEV) ficaram com 34,8% (8.250 unidades).

Na comparação anual, o avanço segue expressivo. Os plug-in cresceram mais de 60% sobre janeiro de 2025, impulsionados pela ampliação do portfólio de modelos disponíveis, maior familiaridade do consumidor com a tecnologia e expansão gradual da infraestrutura de recarga.

Híbridos 

Os híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex) somaram 7.057 unidades em janeiro, representando 29,8% dos eletrificados do mês e cerca de 4% do mercado total de veículos leves.

Os HEV convencionais registraram crescimento anual de 133%, enquanto os HEV flex tiveram avanço ainda mais expressivo, com alta de 467% sobre janeiro de 2025.

Esse desempenho reforça o caráter gradual da transição energética no Brasil, com convivência entre diferentes tecnologias de eletrificação.

As vendas de micro-híbridos (MHEV) totalizaram 3.685 unidades em janeiro, com retração de 37% sobre dezembro e queda de 7% na comparação anual. Pelos critérios da ABVE Data, vigentes desde janeiro de 2025, os MHEV não são considerados veículos eletrificados, categoria que inclui apenas BEV, PHEV, HEV e HEV Flex.

Expansão regional

O Sudeste manteve a liderança nas vendas de eletrificados leves, com 11.127 unidades e 47% do total nacional. Na sequência aparecem Nordeste (4.465 unidades; 18,8%), Sul (4.032; 17%), Centro-Oeste (3.253; 13,7%) e Norte (829; 3,5%).

Entre os estados, São Paulo liderou com 7.067 unidades, seguido por Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Segundo o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, o desempenho reflete o amadurecimento do ecossistema da eletromobilidade no país.

“O bom desempenho dos eletrificados reflete o amadurecimento do ecossistema da eletromobilidade no país”, afirmou.

“Esse amadurecimento envolve não apenas a ampliação do portfólio de modelos disponíveis, mas avanços na infraestrutura de recarga, mais familiaridade do consumidor com as novas tecnologias e estratégias mais criativas das montadoras no mercado nacional”.

Para a entidade, os veículos eletrificados deixaram de ocupar um espaço de nicho e passaram a ganhar relevância estrutural no mercado automotivo brasileiro.

O avanço para dois dígitos de participação dos veículos plug-in representa mais do que um número simbólico para o setor. O movimento indica que a eletrificação começa a influenciar de forma mais direta o desenho do mercado automotivo nacional, seja na estratégia de portfólio das montadoras, na estrutura de preços ou na percepção do consumidor, sem contar a atratividade para novos investimentos. 

O início de 2026 sugere um cenário de consolidação gradual. Se o ritmo de crescimento se mantiver ao longo do ano, a eletrificação tende a ampliar presença de forma consistente no mercado total, reforçando a tendência de transformação estrutural do setor automotivo brasileiro.

Fonte: ABVE

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